Com o novo sistema, a Microsoft ataca os pontos fracos do Vista e tenta manter sua liderança nos PCsO Windows 7 é o Vista, só que melhor. Foi com essa frase despretensiosa que Steve Ballmer, o executivo número um da Microsoft, definiu o novo sistema operacional da empresa em outubro do ano passado. Essa descrição singela contrasta com o marketing habitual dos produtores de software, que tendem a supervalorizar as novidades quando apresentam um produto. A frase de Ballmer também traz, implícito, o reconhecimento de que o Vista não é bom o bastante. Com o Windows 7, que deve ficar pronto ainda neste ano, a Microsoft espera corrigir as falhas que tornaram a versão atual do Windows tão criticada e, assim, manter sua liderança nos computadores pessoais. Até aqui, as cópias beta do Windows 7 têm ganhado elogios das pessoas que se deram ao de testá-las. No INFOLAB, elas rodam sem problemas importantes desde o início do ano — e agradam. Mesmo assim, não há certeza de sucesso no longo prazo. O cenário da computação pessoal está mudando rapidamente. Serviços na nuvem tomam o lugar de aplicativos instalados no micro. Smartphones e netbooks assumem papéis que antes cabiam aos equipamentos maiores. É natural que se questione se o Windows está pronto para acompanhar essas mudanças.
Lento e pesado?A queixa número um dos usuários do Windows Vista é que o sistema é lento e pesado. O fato é que a rápida evolução do hardware proporcionada pela lei de Moore deixou muitos produtores de software mal acostumados. Antivírus ocupam a CPU, aplicativos inundam a memória e, no caso do Windows Vista, o próprio sistema operacional é um voraz consumidor de recursos de hardware. Mas o segmento do mercado de PCs que mais cresceu nos últimos meses é o de netbooks. Em abril, dos dez micros mais vendidos na loja Amazon.com, sete eram netbooks. Um estudo da empresa DisplaySearch indica que, neste ano, as vendas deverão crescer 65%. E há quem considere essa previsão conservadora. O CEO da Intel, Paul Otellini, disse, em abril, que as vendas vão dobrar neste ano. Nas previsões do IDC, elas chegarão perto de 21 milhões de máquinas.
Netbooks, obviamente, não combinam com programas pesados. E, mesmo considerando computadores de mesa e laptops, a situação não é favorável ao pesado Vista. No Brasil, a máquina ideal para rodar esse sistema é quase uma miragem. Um estudo da GfK Retail and Technology Brasil mostra que, no início de 2007, quando o Vista começou a ser vendido, 93% dos PCs à venda no país tinham 512 MB ou menos de memória — capacidade insuficiente até para o vetusto Windows XP. Ainda hoje, segundo a GfK, a capacidade predominante é de 1 GB. Só 36% dos micros saem das lojas com 2 GB ou mais, o necessário para rodar bem o Vista.
No cronômetroE como fica o Windows 7 nesse cenário? Instalamos o sistema operacional num netbook Eee PC 900, da Asus, com 1 GB de memória e processador Celeron M de 900 MHz. Nesse hardware enxutíssimo, não se pode esperar muita velocidade. O Vista fica tão lento nele que seu uso se torna inviável. Com o Windows 7, atividades como enviar e-mail ou navegar na web puderam ser realizadas sem problemas significativos. A lentidão surgiu quando tentamos, por exemplo, descompactar um arquivo zip. Mais de três minutos foram necessários para expandir o arquivo de apenas 8 MB. Tarefas mais exigentes, como codificar vídeo, estão fora de cogitação. Mas o avanço em relação ao Windows Vista é claro.Num computador mais poderoso — com processador Core i7 de 2,67 GHz e 4 GB de memória — rodamos o pacote de testes PCMark Vantage, da FutureMark, que inclui tarefas relacionadas com edição de fotos, vídeo, música, jogos, comunicações, produtividade e segurança. Nesse teste abrangente, que simula o uso cotidiano do computador, o Windows 7 mostrou-se 27% mais veloz que o Vista. Como o PCMark Vantage não roda em Windows XP, utilizamos outro teste, o PCMark05, para comparar o Windows 7 com esse sistema operacional. Nessa avaliação, o Windows 7 foi 0,6% mais lento que o XP (um empate técnico) e 12% mais rápido que o Vista. Não há dúvida de que o sistema está, realmente, mais veloz que o Vista. Mas uma CPU com dois núcleos e pelo menos 2 GB de memória ainda são necessários para um bom desempenho. No entanto, quando o Windows 7 começar a ser vendido, essa configuração será muito mais comum do que no início de 2007, quando chegou o Vista.
XP a bordoSe a queixa número um dos usuários do Vista é a lentidão, a número dois é a incompatibilidade com programas e equipamentos antigos. Não há solução para todos esses problemas de compatibilidade. Mas os casos que envolvem apenas software poderão ser contornados com o modo XP do Windows 7, que o INFOLAB experimentou com exclusividade no final de abril. Esse recurso é composto pelo Virtual PC, máquina virtual da Microsoft, rodando um subconjunto do Windows XP. O usuário pode instalar, nele, aplicativos que são incompatíveis com o Windows 7. Quando isso é feito, um atalho para acesso ao aplicativo é criado no menu Iniciar do Windows 7. Depois, a pessoa pode acionar esse aplicativo como qualquer outro. Apenas a aparência antiquada da janela denuncia que se trata de um programa antigo. O problema é que o modo PC estará presente, em princípio, apenas nas edições Professional e Ultimate do Windows 7. A Microsoft diz que é um recurso voltado principalmente a pequenas empresas. Para as corporações, ela oferece outra solução, o Microsoft Desktop Optimization Pack, que inclui funções para virtualização de aplicativos. O usuário individual, que, em geral, roda uma das edições Home, não terá nenhuma dessas opções.As limitações das edições mais baratas já trouxeram frustrações a usuários do Vista. A má notícia é que vai continuar sendo assim com o Windows 7. A mal-afamada edição Starter deve se tornar comum em netbooks. Uma informação muito comentada no mercado (mas não confirmada oficialmente)é que a Microsoft cobra apenas 15 dólares por cópia do Windows XP pré-instalada em netbook. Esse preço baixo seria um requisito para ela dominar esse segmento do mercado, que, em seu início, era território do Linux. Hoje, 96% dos netbooks são vendidos com Windows, contra menos de 10% um ano atrás, segundo estudo da empresa NPD Consulting. É razoável supor que as edições Home do Windows 7 deverão custar bem mais do que 15 dólares. Assim, pode-se prever que muitos dos netbooks mais baratos trarão a edição Starter. Mas as limitações dela são severas. Só permite, por exemplo, abrir três aplicativos ao mesmo tempo. Se alguém tenta ativar um quarto programa, recebe uma mensagem de erro. Naturalmente, como acontece com o Windows Vista, o usuário vai poder pagar um preço extra e fazer o upgrade. Essa opção está longe de ser popular no Vista. Apesar de o processo de upgrade ser mais simples no Windows 7, é improvável que muita gente esteja disposta a pagar para ter uma edição mais completa.
Sistema chato?Um problema adicional do Vista é que, nele, a Microsoft errou a mão em algumas questões de segurança. Seu polêmico Controle de Contas de Usuários (UAC) pede autorização ao administrador até para tarefas triviais, como verificar a configuração de uma placa de rede. Usuários avançados sabem como desabilitar esses alertas inúteis no Vista, mas a maioria simplesmente convive com eles, e fica incomodada. Isso acaba se refletindo na avaliação que os usuários fazem dos seus micros. A Forrester Research divulgou, em abril, um estudo em que mede a satisfação dos usuários por meio de um índice que vai de 0 a 100%. Para elaborá-lo, a empresa entrevistou 4 500 pessoas nos Estados Unidos. A Apple teve 80% de satisfação, a maior nota entre os fabricantes de micros que foram avaliados. Já as marcas Dell, Gateway, HP e Compaq (que também é da HP), ficaram entre 58% e 66%.A pesquisa da Forrester aponta que muitos usuários de Macintosh consideram o micro agradável e fácil de usar. Entre a turma que usa Windows, não há tanta simpatia pelo sistema. É claro que a culpa não é só do Windows, já que a avaliação da Forrester enfoca o micro como um todo. Hardware e aplicativos e até o serviço de atendimento ao cliente dos fabricantes também têm sua parcela de responsabilidade. Mesmo assim, a Microsoft parece ter se empenhado em deixar o Windows 7 mais simpático que o Vista. Em sua configuração padrão, o novo sistema já exibe menos alertas de segurança que seu antecessor. E ele também oferece mais opções para o usuário configurar os avisos como preferir, de forma razoavelmente simples. Isso, junto com muitos melhoramentos na interface gráfica, contribuiu para a boa avaliação das cópias beta feitas pela maioria dos testadores.Seis vezes Windows 7
1 STARTER
A mais fraquinha, virá pré-instalada em netbooks e PCs simples.
2 HOME BASIC
Sem a interface Aero, não será vendida nos Estados Unidos.
3 HOME PREMIUM
Terá a interface Aero e funções de entretenimento.
4 PROFESSIONAL
Sucede o Vista Business, com modo XP e suporte a redes corporativas.
5 ULTIMATE
Trará os recursos das demais e outros, como a criptografia BitLocker.
6 ENTERPRISE Vendida apenas a empresas, terá gerenciamento avançado.
OFFICE EM 64 BITSO
Office 2010 será a primeira versão do pacote para escritórios com opções de 32 e 64 bits. A Microsoft já confirmou que ele chega no início do próximo ano. Um beta é esperado para o terceiro trimestre deste ano.
Fonte:
http://info.abril.com.br/professional/windows/o-windows-7-repara-os-erros-do-vista.shtml?5